# Como corrigir um valor pelo IPCA, IGP-M ou Selic (e por que o resultado muda)

> Correção monetária e juros são coisas diferentes. Veja como o cálculo funciona mês a mês, o que muda conforme o índice e os erros que mais alteram o resultado.

Por Diego Ferreira de Matos, economista registrado no Corecon. Publicado em 29 de outubro de 2026.

Você tem um valor antigo para atualizar: uma parcela em atraso, um aluguel, uma condenação, um saldo de contrato. Alguém diz "corrija pelo índice" e o número que sai muda bastante conforme a escolha. Este texto explica de onde vem essa diferença e como conferir a conta.

## Correção monetária não é juros

São duas coisas separadas, e misturá-las é o erro mais comum.

- **Correção monetária** recompõe o poder de compra do dinheiro. Ela acompanha a variação de um índice de preços ou de uma taxa, para que R$ 1.000 de ontem valham o mesmo hoje.
- **Juros** remuneram o tempo ou punem o atraso. Cada contrato ou decisão define a taxa, se são simples ou compostos e a partir de quando contam.

Primeiro corrige-se o valor. Se houver juros, eles entram em seguida, conforme o que está escrito no contrato ou na decisão.

## O índice faz diferença

Cada índice mede uma coisa diferente, e por isso a variação do mesmo período não é igual.

| Índice | Quem calcula | O que mede |
|---|---|---|
| IPCA | IBGE | Inflação de preços ao consumidor, a medida oficial |
| INPC | IBGE | Preços para famílias de menor renda |
| IGP-M e IGP-DI | FGV | Índices gerais de preços, muito usados em contratos |
| Selic | Banco Central | Taxa básica de juros, usada também para atualizar dívidas |
| TR | Banco Central | Taxa referencial, usada em alguns financiamentos |

O índice que vale é o definido no contrato ou na decisão. Na falta dele, a escolha precisa ser justificada, porque muda o resultado.

## Como o cálculo funciona

A correção é feita mês a mês, multiplicando os fatores de cada mês:

1. Pegue a variação do índice em cada mês do período.
2. Transforme cada variação em fator: `1 + variação`. Uma variação de 0,5% vira 1,005.
3. Multiplique todos os fatores. O resultado é o fator acumulado.
4. Multiplique o valor original pelo fator acumulado.

Um exemplo com percentuais **fictícios**, só para mostrar a conta. Um valor de R$ 10.000,00 em três meses com variações de 0,5%, 0,4% e 0,3%:

`1,005 × 1,004 × 1,003 = 1,012047` (fator acumulado)

`R$ 10.000,00 × 1,012047 = R$ 10.120,47`

Os meses não se somam: 0,5% + 0,4% + 0,3% daria 1,2%, e o resultado correto é 1,2047%. A diferença cresce com a taxa e com o prazo.

## Onde o resultado costuma mudar

- **Índice errado ou diferente do contrato.** Mesmo período, índices diferentes, valores diferentes.
- **Data inicial.** Corrigir "desde o vencimento" ou "desde a citação" muda quantos meses entram.
- **Meses incompletos.** Quando o período não começa ou termina no primeiro dia do mês, é preciso decidir se o mês entra inteiro ou proporcional aos dias.
- **Juros simples ou compostos.** Simples incidem só sobre o valor original; compostos incidem também sobre os juros já acumulados.
- **Base dos juros.** Juros sobre o valor original ou sobre o valor já corrigido dão resultados diferentes.

Qualquer uma dessas escolhas pode mudar o valor final. Por isso o cálculo útil mostra cada mês, o índice usado e a fonte, de modo que outra pessoa consiga conferir.

## Faça a conta

A [calculadora de correção monetária](/calculadoras/correcao-monetaria/) da Economatos usa índices do Banco Central (IPCA, INPC, IGP-M, IGP-DI, Selic e TR), aceita juros simples ou compostos e mostra a memória de cálculo mês a mês. Ela roda no seu navegador: os valores e as datas não saem do seu aparelho.

Se o cálculo vai para um processo ou contrato, vale refazê-lo com a documentação completa. Isso é parte do trabalho de [perícia econômico-financeira](/pericia-economico-financeira/).

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Página: https://economatos.com.br/blog/como-corrigir-um-valor-por-indice/
